ANVISA mantém aprovação do PMMA após análise técnica

ANVISA mantém aprovação do PMMA após análise técnica

Agência conclui que preenchedor apresenta perfil de risco-benefício aceitável quando usado conforme indicações aprovadas



A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou a Nota Técnica nº 3/2025 em resposta à solicitação do Conselho Federal de Medicina (CFM) para suspensão imediata da produção e comercialização de preenchedores à base de Polimetilmetacrilato (PMMA) no Brasil. Após análise técnica criteriosa, a agência concluiu que não há necessidade de medidas restritivas adicionais para o produto quando utilizado conforme as indicações aprovadas.



A Anvisa esclareceu que o PMMA possui regulamentação específica com indicações aprovadas para correção volumétrica de tecidos moles. Os produtos estão devidamente registrados na agência, e seus fabricantes possuem certificação de Boas Práticas de Fabricação. A manipulação de produtos à base de PMMA em farmácias permanece proibida pela regulamentação sanitária. O documento técnico estabelece que o uso do PMMA deve ser realizado exclusivamente por médicos ou cirurgiões-dentistas habilitados e devidamente treinados.



A agência ressalta que o uso fora das indicações aprovadas em bula não é regulamentado pela Anvisa, sendo de responsabilidade do CFM fiscalizar essas práticas. “Pesquiso o PMMA há mais de 30 anos e posso afirmar categoricamente que a substância é segura, desde que manuseada de acordo com as recomendações clínicas e exclusivamente por profissionais médicos habilitados e treinados”, comenta o cirurgião Eduardo Costa Teixeira, professor titular do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e presidente da Associação Brasileira de Médicos com Expertise em Pós-Graduação (Abramepo).


Durante a reavaliação, a Anvisa identificou que sintomas locais como dor, eritema e infecção provavelmente decorrem da técnica de aplicação inadequada. Foram notificados casos de uso de volumes superiores aos aprovados e aplicações em locais não recomendados, como região glútea fora das indicações específicas para lipodistrofia associada a antirretrovirais.




A decisão da Anvisa ganha respaldo científico com o estudo desenvolvido pelo professor Eduardo Teixeira. A pesquisa, publicada na revista International Journal of Development Research com o título “Biocompatibility and fibrous response of polymethylmethacrylat in skeletal muscles”, comprova a biocompatibilidade do PMMA com tecido muscular. “Na minha pesquisa busquei entender se era biocompatível com o tecido muscular. Os estudos mostraram que o PMMA não causou reações adversas significativas, podendo ser utilizado clinicamente para aumento de volume muscular, tratamento de condições de fraqueza muscular e remodelação tecidual”, revelou Teixeira


Embasamento técnico


A Anvisa implementou diversas ações de controle, incluindo coleta de amostras dos produtos registrados para análises de composição, pureza, morfologia, microbiologia e biocompatibilidade. A agência também realizou reuniões com sociedades médicas especializadas, demandou um estudo científico sobre a segurança do PMMA para a Fiocruz e consultou autoridades regulatórias internacionais para embasar sua decisão. “Com base nas evidências disponíveis, a Anvisa concluiu que o PMMA, quando utilizado conforme as indicações aprovadas e sob condições adequadas, apresenta um perfil de risco-benefício aceitável”, explica o cirurgião.



A agência reiterou seu esclarecimento técnico de julho de 2022, que reconhece a autorização do uso de PMMA para correção volumétrica em regiões faciais e corporais, com orientações específicas sobre volumes e áreas anatômicas. A nota técnica enfatiza que os demais entes do sistema de saúde devem atuar dentro de suas atribuições legais para prevenir e reprimir práticas que extrapolem as indicações autorizadas ou comprometam a segurança do paciente. A Anvisa reforça a importância da notificação de eventos adversos e queixas técnicas como ferramenta fundamental para auxiliar na proteção e promoção da saúde pública



Abramepo
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.